27 de dezembro de 2010

MICC: arquiteto, urbanista ou técnico?

Fomos mais uma vez no MICC. Dessa vez encontraríamos uma pessoa que nos falaria especificamente da nossa profissão. Cada um de nós foi atendido por uma agente, que nos deu respostas e informações diferentes e complementares. A que atendeu o Gato nem foi tão interessante, mas a que me atendeu foi ótima, adorei!

Ponto pro MICC! :)

Explicamos que nossa intenção no momento é estudar. Que o Gato fará doutorado, que eu farei especialização seguida de mestrado. Explicamos que estudaremos em tempo pleno, logo, não procuraremos emprego na área agora. Dissemos que, como esse processo de estudo vai demorar ainda, pensamos em encaminhar nossa entrada nas ordens de arquiteto e urbanista depois. Explicamos que possivelmente eu não trabalharia mais com arquitetura, mas sim com urbanismo-sustentabilidade; e que o Gato quer mesmo é ser professor universitário.

Ok, tudo entendido. Então elas nos passaram informações que mudaram/ampliaram um pouco nossa maneira de ver as coisas.

1 - No caso da ordem de arquitetos, mais uma vez ouvimos críticas por parte dos agentes do MICC, dizendo que eles são muito fechados e burocráticos, que o processo é muito demorado e caro (para iniciar o processo paga-se 1365$ + 667$ pros exames + 91,43$ de sei lá o que...) e que a anuidade é muito cara também (837,50$). Então, como não pretendemos trabalhar na área por agora, elas concordaram que, de fato, é melhor nos capitalizarmos antes de fazer isso. Importante: arquitetura é profissão d'exercice exclusif, o que significa que só pode exercer essa profissão quem tem o título da ordem de arquitetos.

2- No caso da ordem de urbanismo tem que ter mais cuidado. É que o processo de entrada na ordem é diferente pra quem está formado a mais ou menos de 5 anos. Ou seja, quem tem menos de 5 anos de formado é tratado como recém-formado e todo o processo é mais simples, com menos exigências. O valor do processo é bem mais baixo, mas também não é barato (141$ pra dar entrada +170$ pra estágio obrigatório + 284,88$ exame profissional + 85,47 de permis...) assim como a anuidade (438,17$ + 17,10). Além disso também tem 1500$ por ano de assurance professionnel. (essa eu não sei na arquitetura, mas certamente tem também). Importante: urbanismo é uma profissão de titre reservé, o que significa que você pode praticar a profissão de urbanista, mas pra ser chamado de urbanista você precisa ter a ordem. Isso, obviamente, também pode restringir um pouco suas opções de emprego.

3- Finalmente entendemos a diferença de technicien pra technologue. O primeiro não tem título da ordem dos técnicos e o segundo tem. Na prática os dois trabalham com a mesma coisa e ganham o mesmo mas, muitos empregos são especificamente pra quem tem a ordem. Ou seja, assim como o urbanista, o technologue também é uma profissão de titre reservé.

3.1- Aqui tem technologues de arquitetura, de urbanismo, de paisagismo, de desenho, de arquitetura de interiores... Ou seja, de arcordo com seu interesse e experiência profissional, pode trabalhar em uma área específica.

3.2- O técnico em arquitetura aqui faz projetos e obras. Eis a cópia de uma parte do documento que elas nos passaram dando algumas restrições de seu alcance:

"La Loi sur les architectes vous [le technologue professionnel] autorise à préparer des plans et devis de travaux d'architecture pour la construction, l'agrandissement, la reconstruction, la rénovation ou la modification:
1) d'une habitation unifamiliale isolée;
2) lorsqu'il s'agit d'une habitation unifamiliale jumelée ou en rangée, d'une habitation multifamiliale d'au plus quatre unités, d'un établissement commercial, d'un établissement d'affaires, d'un établissement industriel ou une combinaison de ces habitations ou établissements lorsque, après réalisation des travaux, l'édifice n'excède pas deux étages et 300m2 de superficie brute totale des planchers et ne compte qu'un seul niveau de sous-sol."

3.3- Tirar o título da ordem de técnicos é bem mais simples e mais barato (85$). A anuidade é 379,58$ pra quem tem emprego e 230,05$ pra quem não tem. A assurance professionnel custa 1500$. Esse seguro é pra garantir que, caso algo dê errado e você seja processado, a ordem irá te defender judicialmente.

3.4- Diferente da ordem de arquitetos e urbanistas, pra ter a ordem de técnico, tem que fazer a Évaluation comparative des études pelo MICC. Essa equivalência tem demorado cerca de 7 meses pra ficar pronta, mas quem tem urgência comprovada consegue adiantar o processo pra uns 3 meses. Ou seja, quem quiser ir pra esse caminho tem que correr com isso, de preferência desde o Brasil.

3.5- A oferta de empregos para technologues em arquitetura é 4 vezes maior que pra arquitetos. Esse é um dos motivos que fazem com que os agentes do MICC sempre empurrem os imigrantes pra esse caminho. ;)

4- Pra ser professor no Canadá os caminhos são mais simples que no Brasil. O conselho da agente do MICC foi de ver exatamente aonde se deseja trabalhar e perguntar à instituição quais as perspectivas, quais os requisitos. Uma possibilidade também é de ser professor do curso técnico do Cegep. Olhamos de leve quais as exigências e com mestrado já dá pra se candidatar à uma vaga de professor de arquitetura na UdeM.

Bom, tudo isso são observações superficiais, mas que modificaram nossos focos. Por exemplo, se resolvermos trabalhar com o que fazíamos no Brasil, podemos só ter nosso título de tecnólogos em arquitetura. Pra ser professor de arquitetura não é necessário ter a ordem. Ou seja, nosso interesse em tirar a ordem de arquitetos ficou no final da lista.

Sobre as ofertas de emprego em cada área, continuamos com a mesma informação que já tínhamos, que em todas essas opções tem muita demanda, exceto pra professor, que nem a gente, nem as agentes de imigração, temos informação por enquanto.

Sobre salário, bom, aí varia muito. De acordo com os dados do Québec, um técnico ganha em média 40 000 $ por ano, um arquiteto ou um urbanista 60 000 $, um professor universitário ganha em média 80 000 $. Segundo a associação de professores do Cegep, um professor ganha em média 35 000 $. Mas isso tudo são médias, certamente depende horrores de quem trabalha aonde e com quê. Vale ressaltar: olhando o valor bruto parece que a diferença é enorme, mas se você retirar o imposto (que aumenta conforme o salário cresce) verá que a diferença entre eles termina sendo bem menor. ;)

24 de dezembro de 2010

Admission na UdeM

Dia 05 começam minhas aulas. Como não vejo muita gente falando desse processo de admissão, achei que valia a pena postar algo sobre o meu processo aqui.

Pra ter certeza de que curso faria (se seria um certificat seguido de um mestrado ou se eu faria logo o mestrado) fui na universidade pedir informações. Lá me deram o telefone do coordenador do curso. Liguei e marquei um rendez-vous pra saber mais informacões. Na semana seguinte nos encontramos, ele falou sobre as possibilidades de crescimento na área, me perguntou meu projeto profissional, deu dicas das coisas que eu deveria fazer pra conquistá-lo... Enfim, foi ótimo! Fiquei com o plano do certificat seguido do mestrado.

No mesmo dia entrei no site da UdeM e fiz meu pedido de admissão on-line (se for fazer isso na secretaria é mais caro). No dia seguinte fui até a secretaria com meus documentos originais e xerox comuns. A secretária deu o "conforme o original" e ficou com as cópias. Tudo certo, basta esperar um ciclo de três semanas. Ok.

Sobre os documentos é importante saber que eu já havia feito a tradução com um tradutor juramentado do Québec. Mandamos do Brasil os documentos, ele traduziu e nos devolveu pelos correios. Outra coisa importante é que achávamos que teríamos que fazer a equivalência dos diplomas pelo MICC, mas na UdeM eles têm um sistema próprio de equivalência e não foi necessário. Isso é importante porque a equivalência pelo MICC tem demorado uns 7 meses, então é bom verificar isso antes de tudo.

Bom, como sempre, o ciclo de três semanas foi mais curto e em uma semana eu recebi uma carta dizendo que fui admitida. Agora era pra eu fazer a inscrição on-line nas disciplinas e esperar que receberia uma outra carta me convocando pra uma prova de francês. Na mesma carta dizia que, por falta de algum documento, eles haviam me colocado como aluna estrangeira e que era pra resolver isso na secretaria.

Como me inscrevi antes de ter recebido minha Carte de Résident Permanent, parti do princípio que era esse o problema. Por sorte ela chegou no mesmo dia que a carta da universidade. Peguei a Carte e fui correndo pra UdeM.

Chegando lá descobri que sim, eles queriam uma cópia da CRP, mas na real, o que eles tinham dado falta era da cópia do meu CSQ. Como assim, eu havia entregado isso. Bom, paciência, entreguei o original e eles tiraram uma nova cópia e adicionaram na minha ficha. Certo, tudo resolvido e a secretária me pegou pelo braço e foi fazer a inscrição comigo. Achei fofo, parecia que eu tinha uns 5 anos! *rindo*

Feita a inscrição eu já podia começar o processo pra pedir a prêt et bourse (sistema do governo de ajuda aos estudantes, parte fica pro aluno como bolsa, parte tem que ser devolvido quando terminar os estudos). Fui no setor da UdeM de aide financière pra dar entrada na papelada. Lá eles me disseram que primeiro eu tinha que ter um número de estudante no Québec. Ok, requeri o tal número e me disseram que em um ciclo me telefonariam informando. Meio ciclo depois me ligaram e passaram o tão esperado número. 

No dia seguinte era minha prova de francês, então decidi esperar um pouquinho pra dar entrada no pedido de bolsa (vai que eu ia muito mal na prova??).

Essa prova é o TFI (teste de francês internacional). Ela pode ser feita até no Brasil. A diferença é que fazendo aqui o resultado sai mais rápido e você ainda faz uma redação que vai te dar sua classificação no curso de francês oferecido pela universidade.

Bom, fiz a prova e continuei sem saber se passei ou não. O resultado chegaria pelo correio em um ciclo, evidente! O detalhe é que em um ciclo minhas aulas começariam!
Bom, fui fazer minha inscrição no prêt et bourse na universidade. Tem dois funcionários que ficam lá pra ajudar os novos alunos nisso. Pedido enviado on-line, documentos requeridos entregues na secretaria... Agora tenho que esperar mais um ciclo pra saber se tudo está bem!

Meio ciclo depois da prova chegou a cartinha dizendo minha nota, fui aprovada! Junto eles enviaram o certificado do TFI e outra carta dizendo que eu posso fazer uma disciplina por trimestre no departamento de letras. Então vou me inscrever depois das festas. Farei a sequencia de disciplinas de francês escrito, assim vou fechando os buraquinhos que ainda existem. :)

Ah, esqueci de contar que nesse meio tempo tivemos um encontro da turma com o coordenador do curso. Nesse encontro ele apresenta o curso, fala do perfil dos alunos. Nós todos fizemos uma mini apresentação (formação, experiência...). Foi ótimo. Descobri que apesar de ser um certificat, que é do primeiro ciclo, todo mundo que estava ali era mais velho (uma média de 35 anos), tinha experiência prévia profissional, vários já tinham mestrado e outros só curso técnico... Enfim, uma turma bem variada, muito interessante.

13 de dezembro de 2010

Somos todos “irmãos” mas AI do irmão que resolver ser diferente!

Ola amiguinhos, nem tão amiguinhos, crentes malucos e brazukinhas zumbis que pululuam nesse universo caótico e sem lei chamado internet:
No dia de hoje vamos comentar sobre algo que esteve na mídia nos ultimos dias ( NÃO, eu NÃO VOU falar das nevascas em montreal, eu contabilizei pelos menos uns 20 blogs mostrando as mesmas fotinhos e fazendo os mesmos comentários, então, quer ver neve, JOGA NO GOOGLE J ) que foi uma simpática campanha atéia que TENTOU ser vinculada em algumas cidades brasileiras ( mais especificamente Porto Alegre por teoricamente ser “prafrentex” e Salvador por ser uma cidade “religiosa” ).
Note bem, eu digo simpática por ser algo “não-agressivo” ( no momento que não “ataca” nenhuma religião específica ) e simpática por convidar as pessoas a refletirem ( algo que BEM sabemos é feio no Brasil por uma série de motivos ) .
Vale ressaltar que essa campanha perto do que eu vejo todos os dias nos canais evangélicos ( SIM, eu ASSISTO ELES, SIM, EU ADORO O MUNDO CÃO ) é praticamente um deve de casa de uma criança de 8 anos de tão puro e ingênuo ( ou alguém aqui nunca viu e se divertiu com os pastores chamando os pobres praticantes de religiões africanas de macumbeiros-filho-do-dêmo ? ) o que só ressalta o caráter de “simpática” dela:
Como vinculado em algumas midias:

Empresa recusa a divulgação de campanha a favor do ateísmo

Vanessa Alonso
A intenção da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) de investir numa campanha publicitária que coloca, em uma das peças, Hitler e Charles Chaplin lado a lado, juntamente com os dizeres “Religião não define caráter”, não será concretizada em Salvador. A ideia foi barrada pela Fast Mídia, empresa que comercializa os espaços nos ônibus da cidade.
Segundo o gerente-geral da organização, que se identificou como Amaral, a peça foi enviada pela Atea para análise, mas foi reprovada. “Não vamos veicular com base na lei, porque no meu entender está clara a ofensa religiosa”, disse, citando o Decreto Municipal nº 12.642, de 2000, que regulamenta a publicidade pública.
Diante da polêmica gerada, inclusive com o envio e recebimento de e-mails que chamavam Amaral de preconceituoso, ele pretende ir à Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom) nesta segunda-feira, 13.
“Não consultei a Prefeitura porque a lei é bem clara, mas se me derem um documento por escrito, eu autorizo a veiculação na hora”, garantiu o empresário, que recusou o contrato por um período de um mês, no valor médio de R$ 4,5 mil.
Segundo o secretário de Comunicação do município, Diogo Tavares, a Sucom não tem o caráter de analisar o conteúdo da publicidade. “No caso recente dos outdoors com a música do cantor Tomate, a Sucom foi acionada depois que as pessoas se sentiram ofendidas. Já neste caso, eu não sei o procedimento”, afirmou Diogo. O superintendente da Sucom, Cláudio Silva, foi procurado neste sábado, 11, mas não atendeu às ligações da reportagem”
Ou você pode ler direto na página da associação ( Que eu devo confessar nem sabia que existia ! ) http://www.atea.org.br/
Pelo que eu averiguei, o pessoal em Porto Alegre barrou esses dizeres por uma lei municipal que proibe qualquer tipo de propaganda de cunho religioso ( apesar de eu achar que essa era uma “propaganda” muito mais de cunho filosófico, mas enfim... ) pornográfico ou incitando a beber, acho justo que se se barrem, que se barre tudo, então até ai tudo bem ( sempre haverão os outdoors !!! ) mas o mais divertido mesmo foi em Salvador:
Lá o negócio foi barrado por medo da população se rebelar E TOCAR FOGO EM TUDO ( mas sempre em nome do senhor, veja bem, sempre em nome do senhor )
Mas onde eu quero chegar nisso tudo ?
Na verdade em lugar nenhum, isso aqui é um BLOG PRIVADO, onde os donos escrevem O QUE QUISEREM, então não temos ( principalmente eu, um ornitorrinco amargo e solitário, isolado no Brasil enquanto seus donos se divertem HORRORES no Quebec ) obrigação com nenhuma moral de história... não, isso aqui NÃO É UM conto de fadas, logo sem moral da história J
Mas sacanagem a parte eu queria falar um pouco sobre a questão da diversidade e da tolerância religiosa.
A uns dias atrás eu vi um blog de uma brazukinha querida levantando a bandeira que somos todos irmãos perante o senhor, que temos que nos amar, afinal somos todos filhos da mãe brasil, que nos ama muito !! ( a parte do nos ama muito sou eu incomodando, veja bem, mas o resto ta ai, é só procurar na net ;) ).
Eu nem vou entrar na questão que ela ama todo mundo, mas foi EMBORA do brasil, nem vou entrar na questão que ela ama todo mundo, desde que eu ACEITE o deus dela ( e vamos combinar, os deuses hindus são MUITO mais divertidos, se ao menos o deus dela tivesse vários braços e fosse azul ! ou tivesse uma cabeça de elefante !!! ) eu quero entrar na questão da tolerância religiosa mesmo.
O quebec é um lugar neurótico com isso ( e acho que faz bem, afinal com gente tão diferente, é o MÍNIMO que eles poderiam ser ) e tem uma influência forte do estado laico francês ( pelo menos pós revolução tranquila ) onde NENHUM simbolo religioso de NENHUMA origem é aceito em repartições publicas e escolas ( e não é a piada do brasil né onde se eu quiser entrar vestido de mãe de santo vão me barrar no congresso por trajes inapropriados mas tem a PORRA DE UMA CRUZ LÁ DENTRO )
Então eu me pergunto:
Será que pessoas que vivem numa sociedade que acha OK uma campanha “fofinha” ateia que convida para a reflexão ser barrada por medo de revolta popular conseguirão conviver numa sociedade tolerante ?
Pq sério, eu acho isso uma questão MUITO importante e aqui no brasil a mídia disso foi zero... quero ver se tivessem barrado um pastor de botar uma propaganda no onibus a ZICA que teria dado....
Minha pergunta é bem simples, será que NÓS, brasileiros, brazukinhas, seres imaginários e todo esse povo sujinho, será que NÓS estamos prontos para viver em uma sociedade tolerante?
Será que estamos EQUIPADOS a aceitar o próximo? ( mas de verdade, não com um olhar do tipo “acho-super-exótico-minha-empregada-pretinha-ser-macumbeira”) e percebermos que NÃO, não somos todos iguais, que NÃO, não somos todos bonzinhos e que NÃO, o fato de sermos provenientes do mesmo continente não nos torna “irmãos”
Fica a pergunta para começarmos a semana
Ornitorrinco vivendo dentro da geladeira para se acostumar com o inverno de montreal

27 de setembro de 2010

Religiosidade - intolerância?

Faz tempo que fica um disse-me-disse sobre as questões de religiosidade aqui no blog. Então acho que vale à pena entrar de cara no tema, assim ninguém precisa ficar cheio de dedos.

Somos três autores, e cada um com uma história de vida bem diferente. 

Não sei bem qual o lance do Ornitorrinco com isso, mas sei que é um assunto que o afeta bastante e sim, ele termina sendo bem intolerante. Mas veja bem, sempre que acho que a coisa passou do ponto, dou um "se ligue", porque não acho que seja por aí. Mas deixo pra ele falar melhor o que pensa, como se precisasse de minha permissão pra isso! *rindo*

Já o Gato vem de família super católica, sempre estudou em escola de freiras. Sua formação religiosa é bemmmm estruturada. Ele escolheu não ter relação religiosa ou se preocupar com isso. Nem sei se pode ser chamado de ateu, acho que talvez ele devesse explicar melhor, se achar que isso é interessante pra alguém. Mas o fato é que ele fica bem chocado com as pessoas que vem aqui no blog, nos xingam, colocam o dedo na cara e depois vêm com um papo de que é temente a deus e que não julga ninguém. 

No meu caso, isso tudo pra mim é indiferente. Minha formação é 100% atéia e aprendi desde muito cedo que isso pode ser uma maldição, caso as pessoas descubram. A vida toda ouvi o que escuto aqui no blog, como se o fato de ser atéia me fizesse uma pessoa vazia, sem amor (isso mesmo, um anônimo chegou a esse ponto, de dizer que não tenho amor por ser atéia!). Aliás, até o Curioso (que apesar de chato respeito muito...ehehehe) já veio com um papo de que quando me deito sinto um vazio no meu peito... ai ai ai. Sempre me impressionou a total falta de tolerância de pessoas religiosas para com os ateus. Acho que nós ameaçamos de alguma forma seu mundo perfeito, como se mostrássemos (seja lá por qual razão) que sua religião está ameaçada.

Se tem uma coisa que eu não estou nem um pouco interessada é qual é a religião da pessoa. Tenho amigos que querem ser duendes da floresta, outros que são protestantes, outros católicos, outros judeus, tenho amigos muçulmanos e espíritas, ateus e comunistas (sim, isso pode ser uma religião...ehehehe).

E você, leitor-comentarista, o que você acha disso?

Beijinhos,
Alice

obs.: Que moda é essa de falar mal dos meus beijinhos? Sempre dou e darei boas vindas e beijinhos, porque sou educada e gosto muito da presença e comunicação de todos. Às vezes posso ser irônica ou até grosseira, mas normalmente não sou assim antes de ser atacada. ;)

7 de setembro de 2010

Aborto

Ontem fiz um post com frases impactantes da Barbara Kruger. Uma delas era parte de uma campanha pró-aborto. Curiosamente um Anônimo pegou essa questão e trouxe o tema à mesa, com um texto que pode ser lido aqui.

Como acho que esse tema dá muito pano pra manga, resolvi transformá-lo em post, pra discuritmos à vontade. 

Antes de começar, queria dizer que respeito muitíssimo quem escolhe fazer ou não um aborto. Mais ainda, quero deixar claro que essa discussão nada tem a ver com os casos terríveis de abortos espontâneos, onde a grávida feliz se vê numa situação de desolamento total. Por isso, não se ofendam, certo? A discussão é sobre a escolha, ou não, por abortar um bebê que aparece de forma ou momento indesejáveis. :)

Desde nova acompanho as discussões sobre a legalização do aborto. É um tema recorrente na nossa sociedade e bem presente na vida da maioria dos brasileiros, seja através de uma coleguinha grávida na escola, seja por outra que foi na clinica X, ou mesmo aquela que teve uma infecção e quase morreu numa clinica bizarra. Mas o mundo gira e, quando a gente se aproxima do universo adolescente, fica bem fácil se deparar com essa temática (até porque as mulheres adultas não expõem suas questões com tanta facilidade).

Toda vez que esse tema chega na esfera política, acaba sendo abafado por milhões de entidades (principalmente religiosas) que, em defesa à vida do feto, partem pra cima e impedem que o assunto ande. A última vez que acompanhei uma discussão interessante foi quando o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu um plebiscito sobre o aborto e trouxe à tona um turbilhão de informações que circundam o tema, mas que às vezes são deixadas de lado.

Outro dia o Ornitorrinco me enviou um post de uma pessoa que questionava a liberação do aborto no Canadá. Segundo ela, 1/3 das gestações seria interrompida. Também segundo ela, isso vai contra a economia do país, já que eles estão envelhecendo e tendo que "importar" imigrantes. 

Na Suécia também é liberado e, obviamente, passaram um tempo tendo alguns problemas com as meninas mais jovens. Elas passaram a tratar o aborto como um método contraceptivo. Assim, o Governo terminou por estabelecer um número máximo de abortos permitidos na vida de cada mulher e começou a equilibrar a balança. Essa medida, juntamente com uma mega campanha educativa, claro.

Mas o Brasil está muito longe dessas questões. Temos uma super-população, extremamente pobre, semi-analfabeta, sem auxílio da saúde pública para a maioria das coisas, sem assistência psicológica pra tudo, sem normatização sobre o aborto. Aqui fingimos que isso não existe e assim fica combinado. Somos bons em fingir que as coisas não existem, né? ;)

O Ministério da Saúde, em 2008, terminou uma pesquisa interessantíssima sobre o tema (são 20 anos de pesquisas sobre o aborto no Brasil), vou tentar passar aqui alguns dados. Trata-se de um texto de 315 páginas, então tentarei ser o mais consisa possível.

_________________________

"Os resultados confiáveis das principais pesquisas sobre aborto no Brasil comprovam a tese de que a ilegalidade traz conseqüências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe a prática e perpetua a desigualdade social. O risco imposto pela ilegalidade do aborto é majoritariamente vivido pelas mulheres pobres e pelas que não têm acesso aos recursos médicos para o aborto seguro.

Enfrentar com seriedade esse fenômeno significa entendê-lo como uma questão de cuidados em saúde e direitos humanos, e não como um ato de infração moral de mulheres levianas. E para essa redefinição política
há algumas tendências que se mantêm nos estudos à beira do leito com mulheres que abortaram e buscaram o serviço público de saúde: a maioria é jovem, pobre, católica e já com filhos.

Essa descrição não representa apenas as mulheres que abortam, mas as mulheres brasileiras em geral. Por isso, a compreensão do aborto como uma questão de saúde pública em um Estado laico e plural inaugura um novo caminho argumentativo, no qual o campo da saúde pública no Brasil traz sérias e importantes evidências para o debate."

  • Quantidade: 1.054.242 abortos ocorreram em 2005.
  • Faixa etária: a vasta maioria dos estudos inclui mulheres entre 10 e 49 anos.A faixa etária com maior concentração de abortos é de 20 a 29 anos (51% a 82%). Na adolescência, os estudos registram uma concentração entre 72,5% e 78% na faixa etária de 17 a 19 anos.
  • Religião: entre 44,9% e 91,6% do total de mulheres declaram-se católicas. Entre 4,5% e 19,2% declaram-se espíritas, e entre 2,6% e 12,2% declaram-se protestantes. Um estudo com 21 mulheres que induziram o aborto identificou que 9,8% delas não tinham religião.
  • Participação social: a maioria das mulheres participa do mercado de trabalho (uma mudança significativa para os anos 1980, quando mais da metade das mulheres estava fora do mercado de trabalho). Descrição do universo do trabalho das mulheres que realizam aborto: trabalhos femininos (emprego doméstico), comércio, ofícios informais (cabeleireira e manicure), além de estudantes, com renda familiar de até três salários mínimos.
  • Adolescência: Os estudos sobre aborto na adolescência seguem as tendências sociais de gravidez nesse período da vida, mostrando adolescentes fora da escola e do mundo do trabalho, em situação de dependência econômica de familiares e/ou do companheiro. Apesar de essas serem questões importantes para a análise da vulnerabilidade feminina frente a uma gestação, os estudos que apresentam evidências ou análises de como elas atuam na decisão pelo aborto são ainda raros.
  • Chances: gestação entre jovens de 18 a 24 anos. - quanto maior a renda e a escolaridade, maiores as chances de a primeira gravidez resultar em um aborto. 
  • Métodos contraceptivos: Uma diferença importante entre os estudos com grupos de adolescentes (10-19 anos) e de mulheres jovens adultas (20-29 anos) é a declaração de uso de métodos contraceptivos: -  as adolescentes fazem menor uso desses métodos quando comparadas com as mulheres jovens adultas. Mais da metade das mulheres jovens adultas que moram nas Regiões Sul e Sudeste e que abortam declara uso de métodos, em particular a pílula anticoncepcional, o que sugere seu uso irregular ou equivocado. No caso dos estudos da Região Nordeste, a ausência de métodos contraceptivos na ocasião da gravidez é alta, entre 61,1% e 66% em estudos com amplas amostras de base populacional.
  • Filhos anteriores: Apenas entre 9,5% e 29,2% de todas as mulheres que abortam não tinham filhos, um dado que leva muitos estudos a inferir que o aborto é um instrumento de planejamento reprodutivo importante para as mulheres com filhos quando os métodos contraceptivos falham ou não são utilizados adequadamente. Quando os estudos segmentam segundo faixa etária e número de filhos, as adolescentes compõem o grupo que menos induz o aborto.
  • Métodos abortivos: nos anos 1980 - venenos, líquidos cáusticos ou injeções. Depois dos anos 90 - misoprostol passou a ser o método preferencial para realizar o aborto em casa ou para iniciá-lo em casa e terminá-lo nos hospitais. Para as mulheres que finalizam o aborto nos hospitais, é nas primeiras 24 horas pós-uso do misoprostol que a mulher procura um hospital público. Em geral, os sintomas são dores abdominais e sangramento. Entre 70% e 79,3% delas chegam com esses sintomas, sendo diagnosticado o abortamento incompleto. Entre 63% e 82% delas estão com até 12 semanas de gestação. O tempo de internação é de 1 dia entre 30% e 85,9% das mulheres incluídas nas pesquisas. Entre 9,3% e 19% apresentam sinais de infecção.
  • Mortalidade: Nos anos 1990, o aborto induzido se manteve entre a terceira e quarta causa de mortalidade materna em várias capitais brasileiras. A estimativa oficial da razão de morte materna é de 76/100.000. Em algumas cidades, como Recife e Salvador, o aborto ocupou o primeiro e o segundo lugar no grupo. Os estudos de meados dos anos 1990 e 2000 passaram a registrar uma mudança epidemiológica significativa no perfil da morte materna por aborto induzido. Houve uma redução de casos e várias pesquisas passaram a analisar a correlação entre a queda na morbimortalidade por aborto induzido e o uso do misoprostol como método abortivo em detrimento de métodos perfurantes, cáusticos ou do recurso às leigas.
  • Histerectomias (retirada do útero): entre as décadas de 1970 e 1980 registravam índices alarmantes de histerectomias por aborto séptico. Registrou que 88% das histerectomias até 24 semanas de gestação deviam-se a aborto realizado em condições inseguras, em geral com métodos perfurantes.
  • Misoprostol: medicamento com circulação restrita no País e proibido para fins abortivos fora de indicações médicas controladas. O universo da comercialização e circulação do misoprostol é desconhecido, mas dados iniciais mostram que o itinerário dessa substância segue o do tráfico de drogas ilícitas e de anabolizantes. Se, por um lado, o acesso ao misoprostol reduziu as seqüelas e complicações por métodos abortivos arriscados comuns aos anos 1980, por outro, o contexto de ilegalidade do aborto lança novos desafios à saúde pública. Um deles é o risco de aproximação das mulheres e seus parceiros ao tráfico ou comércio ilegal de drogas para adquirir o misoprostol; o outro é o de que, para muitas mulheres, a eficácia do misoprostol como método abortivo depende do acesso imediato a hospitais para a finalização do aborto.
  • Ilegalidade: Um estudo qualitativo com 11 mulheres processadas judicialmente por aborto induzido nos anos 2000 mostrou que 80% delas iniciaram o aborto com misoprostol, mas quase a metade foi denunciada à polícia pelos médicos que as atenderam nos hospitais.  Muito embora a denúncia seja uma violação de princípios éticos fundamentais à saúde pública e à profissão médica, as mulheres não têm a garantia do sigilo durante a fase de hospitalização. Quase todas as mulheres do estudo foram processadas pela prática do aborto após denúncias sofridas durante o processo de hospitalização.
  • Síndrome de Möbius ou Seqüência de Moebius (SM): foi apontada como a principal seqüela para o feto da tentativa ineficaz de aborto por misoprostol. A SM é uma má-formação rara, e constituía objeto de poucos relatos na literatura internacional até a abertura do debate por pesquisadores brasileiros. Há quase uma década, as mulheres recebem a explicação científica de que a má-formação de seus bebês é resultado da tentativa ilegal de aborto por misoprostol. Esta hipótese científica não constitui um diagnóstico médico consolidado. Não há estudos que analisem o impacto da enunciação do diagnóstico de SM como resultado do uso de misoprostol.
"OS ESTUDOS NÃO MOSTRAM como se aborta nas clínicas privadas, com leigas ou parteiras. Não se sabe como as mulheres têm acesso aos instrumentos abortivos, em particular de quem compram ou recebem o misoprostol ou os chás; não se sabe quais os recursos abortivos e práticas adotados pelas mulheres rurais e indígenas;  não se sabe qual o impacto da raça na magnitude, na morbidade e na experiência do aborto induzido; não se sabe como as desigualdades regionais são refletidas na morbidade do aborto induzido ilegalmente; não se sabe como indicadores de desigualdade social (classe social, geração, raça, deficiência) atuam na decisão de uma mulher por induzir um aborto; não se sabe como mulheres em situação de violência sexual doméstica decidem pelo aborto; não se sabe como a epidemia do HIV/aids se relaciona com a prática do aborto. Sabe-se pouco sobre o universo simbólico das mulheres que abortam, sobre o processo de tomada de decisão e o impacto em sua trajetória reprodutiva ou em seu bem estar. Os estudos sobre assistência à saúde e mulheres em situação de abortamento induzido são raros, e há poucas pesquisas sobre os serviços de aborto legal."
_______________________

Pessoalmente sou 100% pró a legalização do aborto. Acho um escândalo expor nossas mulheres à busca do submundo, à ilegalidade, para que possam interromper uma gravidez. São mais de 1 milhão de mulheres por ano, só aqui no Brasil, que se submetem a todo tipo de mazela para poder garantir a interrupção de sua gestação. São quase 800 mortes por ano, só no que se tem registro.

Isso não significa que sou a favor de todos os abortos. Já briguei com uma amiga porque ela e o namorido resolveram abortar porque estavam começando o relacionamento. Achei pouco, já que os dois estavam e estão perdidamente apaixonados e, seis meses depois engravidaram novamente e tem uma linda filhinha. Minha revolta foi principalmente em função do danos físicos e psicológicos que este ato poderia ter provocado, indo numa clinica obrigatóriamente clandestina.

Também já briguei com uma amiga que não quis abortar. Ela tinha 14 anos, sem apoio do pai do feto, sem apoio da família. Ela e uma barriga, soltos no mundo. Essa amiga, convencida pelo pai do feto que abortar seria como dar um tiro na cabeça de alguém, ficou sozinha, sem brilho no olho, sem pique pra vida. Seu filho e ela passaram por dificuldades tremendas que não desejo a ninguém. Dificuldades além de financeiras, emocionais profundas.

Não acho nada simplória essa discussão, acho que aqui tem muito causo, muita história, muito detalhe. Por isso chamo a todos que quiserem a dar sua opinião. Só peço pra nos distanciarmos das questões religiosas que poderiam entrar aqui, porque senão entraremos no terreno do imponderável e da intolerância. ;)


O tempo agora:
Montréal 24ºC / Rio de Janeiro 23ºC

6 de setembro de 2010

Barbara Kruger

Hoje passando pelo jornal li sobre uma exposição da Barbara Kruguer e suas frases impactantes, imagéticas e gigantescas, espalhadas nos locais mais variados e incomodos. Achei que valia a pena trazer pra cá.



O tempo agora:
Montréal 17ºC / Rio de Janeiro 21ºC

26 de agosto de 2010

A revolução tranquila: um primeiro olhar

Enfim, está na hora de termos MAIS uma polêmica.
Tirem as crianças da sala, guardem as velhas pudicas, se vocês acham que a Alice faz polêmica, uhuhuhuh, que bonitinho, negô, ela manda BEIJINHO, ela acha que NÃO É CORRETO ofender ao próximo, espero que vocês entendam que ela é a Good Cop e eu sou o Bad Cop ! ( e o gato ? cara o gato é o demiurgo que vive acima de todos nós mexendo as cordinhas invisíveis que regem o mundo ) .
Onde eu quero chegar com isso tudo ? Ora bolas, gerar uma nova polêmica !!! eu prefiro chamar de gerar um espaço plural e livre de censura onde todos possam expressar suas opiniões sendo elas diferente ou não da minha desde que regras míninas de inteligência sejam respeitadas ( foda-se a educação, ultimamente eu me tornei um ornitorrinco evil desde que eu fiquei sozinho no meu planetóide, agora o Gato e Alice são magnata, vão viajar para a terra encantada do norte, daí eu fiquei de zelador do barraco, dizem eles que eles ainda vão mandar coisas de lá, mas duvido, agora que entram no ESQUEMA FORTE, vão é se juntar com a brazucada lá para fazer churrascada hein !!! ) mas no final das conta nego vai chamar de polêmica mesmo.
Então, o que isso tem a ver com o Quebec pequeno gafanhoto ?
A PRINCIPIO pode parecer que nada, mas se você fez sua lição de casa ( e não, a lição de casa não inclui ver VÁRIAS vezes a mesma palestra do escritório de emigração, me refiro a uma pesquisa de VERDADE, sua topeira mutante psciônica ! ) você já deve ter em algum momento ouvido falar na “Revolução tranqüila” ( breve aula sobre o Quebec: a revolução tranqüila é quando eles cansaram de ser um bando de caipiras, controlados por uma sociedade arcaica, religiosa e conservadora e decidiram que queriam ser gente grande ! ).
Pois bem, a revolução tranqüila mudou COMPLETAMENTE o paradigma social da sociedade ( dããã, se é o paradigma social, será do que alem da sociedade seu pato metido a mamífero !! ) já que de fato ele se tornaram um estado laico ( e eu falo laico de verdade não sou-laico-mas-continuo-tendo-um-crucifixo-em-todo-tribunal-e-ai-de-quem-quiser-tirar-ele-dali ).
Quais são as implicações de um estado laico ??? ( Se o conceito de pecado não faz mais parte da sociedade, porque proibir o aborto ? Por que eu não posso usar drogas ?? ) Como construir uma estrutura moral-social onde estamos inseridos sem ter que lançar mão de conceitos cristão como, se você for mal vai para o inferno, se você não fizer isso deus não vai gostar de você.
Brincadeiras a parte, isso tudo tem implicações MUITO sérias na maneira como as pessoas se relacionam ( já fui informado por fontes locais que a mulher quebeca tem o hábito de flertar e tomar a iniciativa em relação a homens, afinal em uma sociedade laica somos DE FATO iguais um aos outros e não um pedaço de costela que resolveu tomar vida ) e como as pessoas vivem.
Quero convidar a todos a darem sua opinião.
Deixo também um link de alguém que consegue ser MAIS desbocado do que eu que aborda essa questão da religiosidade, hipocresia e honestidade consigo mesmo, acho que serve para levantar a lebre ;) ( ou o coelho, ou o ornitorrinco, ou o que vocês quiserem ! )
Aguardo comentários e slurpadas para todos !

1 de agosto de 2010

Por que Québec? Alergias


Atualmente é difícil você encontrar alguém que não tenha algum tipo de alergia. Tem as mais comuns, como alergia a ácaros, poeira, fumaça de cigarro... Tem as mais estranhas, como alergia a ovo, cebola, corante amarelo...Em chez nous ainda tem as alergias das estações do ano, como é o caso da alergia ao pólen, na primavera.

Eu sofro um bocado com várias delas. A do pólen mesmo me deu uma baqueada em Montréal. Mas todas elas possuem solução, tem remedinhos mágicos que resolvem tudo. Dá pra ter uma vida perfeitamente normal se você tomar alguns cuidados.

MAS, tem uma alergia que simplesmente acaba comigo! Ela se manifesta em dias como hoje, que está 37°C na rua. Os cariocas estão todos na praia, comemorando o sol, o astro rei. Mas pra mim isso é motivo pra correr pra casa, ligar o ar-condicionado e ficar bem quietinha.

Desde pequena, quando tinha que ir pra aula que começava às 7h da madrugada. Desde lá, quando os raios solares batiam no meu rosto, eu começava a espirrar. Aí o dia ia avançando e o calor subindo, e o mal-estar aparecia de vez.

Hoje em dia não é muito diferente. Quando vem um dia quente como hoje, vou desfalecendo na rua, me desmontando, querendo deitar num cantinho e esperar a morte chegar.

Por que temos tantos remedinhos mágicos pras outras alergias e não temos nenhum pra essa? Roupas geladinhas ajudariam horrores! Nem me importaria em parecer uma astronauta no meio do Centro do Rio!

Além de tudo, essa é uma alergia que não é aceita pelas pessoas que se dizem normais. Elas simplesmente não compreendem, sempre dizem: poxa, mas o dia hoje está tão bonito! Bonito? Pra mim o dia hoje parece mais uma condenação!

Mas enfim, a busca para a cura dessa alergia é mais uma das muitas razões pra emigrar pro Québec. Passar a maior parte do ano com temperaturas amigáveis! Será um prazer achar gostoso o sol bater no meu rosto, calmamente, à -15°C. :)

21 de julho de 2010

Valores em comum da sociedade Quebequence

Não tenho muita paciência para ler blogs sobre imigração québec. Muitos que eu tentei ler me transmitem valores que eu não concordo. Muitas pessoas desrespeitam os valores em comum da sociedade Quebequense (versão em francês no site do micc).

Alguns pontos para mim são especialmente importantes:


Por isso o governo se esforça para proporcionar cursos da língua para que os estrangeiros possam se integrar melhor. Não é caridade, é uma forma de estimular um valor fundamental.

Não entendo alguns brasileiros resolvem se mudar para o Québec e só querem falar português, outros querem que a escola pública ensine português e já li até blog de gente que proíbe os filhos de falar francês em casa.


"Pour s’intégrer dans son nouveau milieu de vie, la personne immigrante qui ne maîtrise pas la langue française doit faire des efforts pour l’apprendre."

Les femmes et les hommes ont les mêmes droits

No Brasil, isso também está escrito na constituição, mas algumas diferenças podem ser percebidas quando o assunto é igualdade entre os sexos e casamento por exemplo. Aqui o casamento civil só é possível entre pessoas de sexos opostos. No Canada não existe mais essa restrição. Além disso as três formas de união (união estável, união civil e o casamento) são reconhecidas igualmente pela lei.
Esse é um dos fortes motivos para eu querer ir pro Québec. O governo brasileiro faz um discurso que é laico, mas as decisões políticas normalmente são influenciadas por dogmas religiosos. No Canada essa influência é bem menor, por exemplo, nas questões de aborto e orientação sexual.
Não acho que o Estado deva legislar segundo uma tendência religiosa, seja ela qual for.

"Integrar-se à sociedade quebequense é estar disposto a conhecer e respeitar os valores em comum dessa sociedade."

Claro que sei que esses valores não são uma realidade para todas as pessoas do Québec. Mas quero contribuir para que esses valores sejam cada vez mais comuns.

Se você não concorda com esses valores. Ne me cherche pas, s'il vous plaît.

4 de julho de 2010

Equivalência de estudos - tradução dos docs

Como nós somos arquitetos e urbanistas, nossa vida quebeca começa pela equivalência de estudos, pra poder dar entrada na ordem profissional, na universidade...

Então, como a equivalência demora uns 3 meses pra ficar pronta, resolvemos fazer a tradução dos nossos documentos com um tradutor juramentado do Québec desde o Brasil. Assim dá pra começar a equivlência daqui, enquanto esperamos o consulado dar notíca de vida.

Pesquisando no site dos tradutores juramentados do Québec e em blogs de quem já fez isso (eu sei que disse pra não considerarem os blogs, mas às vezes eles ajudam, né? *rindo*), resolvemos procurar o Fabrice Bouchard.

Ele foi simplesmente perfeito. Enviamos um e-mai perguntando sobre os serviços dele e explicando qual eram os documentos que precisávamos. Ele rapidamente respondeu, deu o preço (+ ou - 500CAN no cartão de crédito) e pediu que escaneássemos os docs. Escaneamos e ele começou a trabalhar. No que teve dúvidas ele perguntou e resolvemos.

No final de tudo ele enviou todos os documentos bonitinhos, traduzinhos, organizadinhos, pelo correio e cá estão! Agora vamos dar entrada no MICC pra reconhecerem as equivalências de tudo que já estudamos. :)

30 de junho de 2010

Processo Federal - adendo

Algumas pessoas questionaram coisas do post passado, então resolvi complementar:

1- Prazos: não espere até receber seu CSQ pra resolver tudo do Federal. Os antecedentes crimimais podem demorar bastante, dependendo do Estado ou país. Por isso, veja que prazos são esses e comece antes.

2- Annexe 1: Antécédents/déclaration (IMM0008 - annexe 1), no item 12. Trata-se de quê organizações você já foi simpatizante, membro ou afiliado. Aqui entram as organizações políticas, sociais, de jovens ou estudantes, de sindicatos ou associações profissionais.

3- Certificats de police et absence de casier judiciaire -  podem me chamar de alarmista, eu sou. Exagerada? Certamente! Mas eu preferiria mil vezes ter pedido os antecedentes canadenses antes, mesmo achando que não faria sentido, do que agora terem me pedido. Falei com o consulado e ele demora 3 meses pra ficar pronto! Ou seja, três meses de atraso.

4-  État des biens personnles - Esse item causou um certo reboliço. Na verdade não tenho certeza do que é certo ou errado. O que eu sei é que não tem escrito em lugar nenhum (pelo menos onde eu li) pra quem é esse documento. O  que tem é que quem faz o processo pelo Federal precisa apresentar o Fond d'établissement, mas lá não diz que se trata do preenchimento do État des biens personnels. Ou seja, pelo bem ou pelo mal, prefiro preencher o dito cujo e mandar. Mas aí acho que fica cmo opcional. :o)

5-  Blogs - gente, esquece esse negócio de pegar info em blog, vai ler o site oficial! :P


29 de junho de 2010

Processo Federal - preenchendo os formulários

Toda hora vejo gente tendo problema com o preenchimento dos formulários do processo federal. Toda hora as pessoas atrasam tudo por causa disso. E toda hora fico impressiona com a quantidade de informação truncada que os blogs oferecem, criando novas regras. Então resolvi dar uma ajudinha! Aqui considero somente os itens de quem não tem filho, porque nunca pesquisei sobre o assunto. :)

Depois de receber seu CSQ lindinho, é hora de entrar com a parte federal do processo. Mas agora são sei-lá-quantos formulários a serem cuidadosamente preenchidos. Então, pra começar entre nessa página, e pegue a Liste de Contrôle aqui.

Este arquivo em pdf (sim, eles AMAM pdf!) deve ser lido com carinho, ele te diz tudo o que precisa ser feito. Ele começa com o Appendice A, que é uma lista de controle pra você ir tikando. Observe: nas caixinhas de tiks são 3 opções, a F (Federal), a P (Provincial) e a Q (Québec). Por favor, nem olhe as duas primeiras, elas não te interessam e podem te confundir.

Então o que é necessário preencher e/ou entregar?

  • Aqui é mais uma geral de quem é você e seu époux. 
  • Não tem que assinar nada.
  • Quando eu preenchi a minha, tinha uma opção para o Québec. Como não tem mais, vá em autre: travailleur qualifié Québec.
  • Em Votre langue de préference, não se assuste. Lá tem a opção pra entrevista. Isso mesmo, eles já deixam tudo pronto pra que, se quiserem, possam te chamar no consulado pra maiores esclarecimentos. Não é nada demais. Coloque lá a língua que você é mais fluente pra falar.
  • Item 1 - Lembre qu Nom de famille é seu sobrenome e prénom é o seu nome
  • Item 6 - a) sim, eles querem que você diga novamente qual a língua que você fala melhor, porque se te chamarem pra uma entrevista precisarão ter alguém que se comunique com você, mesmo que seja um tradutor.
  • Item 10 - Não confunda Mariage com Union de fait. Eles aceitam as duas formas de união, mas têm tara em saber qual é o seu tipo. Mariage é o casamento formal, union de fait é a união do casal informalmente.
  • Item 11 - Sim, novamente diga a eles sobre seu conhecimento de inglês e francês
  • Item 15 - Só preencha se você tiver um endereço postal diferente do seu endereço residencial.
  • Item 19 - Votre numéro de carte d'identité. Trata-se da sua identidade velhinha de guerra. Coloque o número, o órgão expedidor e o país.
  • Na página seguinte - Détails sur les membres de la famille - é só pra quem está pedindo o visto junto com você. Neste processo, pai e mãe não são membros de sua família, certo? ;)
  • Não esqueça de colar as fotos!! A do requerente principal no começo deste formulário e a dos membros da família no final.
  • Esse é o formulário evil! É nele que as pessoas costumam ter problemas. Então concentração! ;P
  • Primeira coisa, aqui você preencherá um desses para o réquerant principal e outro pro époux, se ele existir.
  • Item 1 - de novo a observação, seu Nom é o sobrenome e o Prénom é seu nome. Se seu nome for Maria Joana da Silva Sauro, você preencherá em nom (da Silva Sauro) e em prénom (Maria Joana).
  • Item 2 - nada a preencher pois nossa grafia é a mesma da deles.
  • Item 3 - Se mudou de nome quando casou, escreva seu nome original aqui.
  • Item 6 - Votre status dans ce pays - Citoyen, imagino...
  • Item 8 - observe que se trata do nome da sua mãe quando nasceu! Se ela mudou de nome quando casou, aqui pouco importa. No futuro haverá um formulário pro nome atual dela.
  • Item 9 - leia atentamente cada ponto. Lembre-se, não se trata de toda a sua família nas gerações passadas. Aqui eles querem saber de você e dos membros de sua família que estão pedidno o visto. Ninguém mais, ninguém menos.
  • Item 9 - observe que, se você já visitou o Canadá alguma vez, você marcará OUI no segundo ponto.
  • Item 9 - Se você marcou OUI em algum ponto, descreva aqui do que se trata. No nosso caso, colocamos as informações do nosso visto de visitante: J'ai demandé un visa d'étudiante au Canada. Date d'émission: xx/xx/xxxx. Date d'expiracion: xx/xx/xxxx. Acho que seria bom colocar também exatamente que data esteve lá, e o que você fez. Tipo, fez um curso, qual foi ele e quando? Nesse caso, como sempre dá xabu, acho que o excesso de informações é mega bem vindo.
  • Item 10 - Se tem mestrado, MBA, doutorado... tik no École de formation professionnelle ou autre école postsecondaire.
  • Item 10 - as informações acadêmicas podem ser copiadas do seu formulário do processo Québec.
  • Item 11 - Antécédents personnels - aqui é outro xabu! Por favor, preste atenção em cada mês da sua vida desde os seus 18 anos!!!! Preenche com calma e carinho, de trás pra frente. Começa com o ano atual, que atividade você faz profissionalmente? Onde? Qual o nome da empresa? MUITO CUIDADO pra não deixar meses repetidos ou faltando!!!!!
  • Item 12 - Você é, ou já foi, membro de alguma organização? Pode ser CREA, por exemplo, ou aquele grêmio que você participou, ou é maçon, ou é afiliado a alguma igreja...
  • Item 14 - Service Militaire - Para os rapazes sortudos que se livraram disso, podem escrever Néant e, numa frase curta, explicar porque não foi pro serviço militar. O Gato preencheu isso em Nom du pays, já que não há espaço pra isso. Lembre-se, isso é só um excesso de informação, pra evitar questionamentos futuros pelo consulado. Não é obrigatório, se quiser, pode só deixar em branco.
  • Item 15 - Adresses - Ai ai, outro xabu! Preste atenção pra não esquecer de nenhum endereço e nenhum mês! Se você passou três meses em algum lugar pra estudar, não tava morando lá, então o endereço permanece o seu de origem. Se você passou três meses trabalhando, aí é diferente, não deixe de colocar, pois pode dar xabu na hora que forem comparar suas atividades com seus endereços.
  • Página 4 - assine e date, e só! A segunda parte desta página é pros que tiveram a infelicidade de serem chamados pra ir no consulado, pra serem entrevistados (bate na madeira três vezes!!!).
  • Esse é mole. Preencha seu nome, assina e data. Só faz isso o requerente principal.
  • Lembra que eu disse que depois saberiam o nome da sua amada mãe? Pois bem, é aqui...hehehe
  • Se você não tem époux, deixe em branco a linha dele e assine no final deste quadrado. O mesmo vale pra crianças e irmãos, quem não tem nada disso, assina embaixo do quadrado correspondente. Quem tem, preenche com as informações.
  • Não se esqueça de assinar no final da folha. Sim, essa é a página das assinaturas. Não esqueça de nenhuma delas, já vi formulário que voltou por essa razão!
  • Ah sim, nesse cado, NOM é seu nome completo, certo?! ;P
 5- Documentos
  • Pegue lá sua certidão de nascimento.
  • Depois são opcionais: certidão de casamento, atestado de óbito do époux, cópia do certificado de cidadania canadense, registro nacional para os estrangeiros residentes no Brasil.
  • Documentos de viagem: passaporte - cópia das páginas com o número, as datas, foto, nome e lugar de nascimento. Não esqueça de acrescentar essas cópias do passaporte de cada pessoa que estiver no processo requerendo visto!
6- Certificats de police et absence de casier judiciaire
  • Esse item é polêmico, mas vou dar minha opinião. Acho que a gente nunca erra pelo excesso de cuidados, então, se já esteve alguma vez no Canadá, recomento fortemente que já peça seu nada consta de lá. O mesmo vale pra quem já foi pra outros lugares depois dos 18 anos, por mais de dois meses consecutivos. EU pediria logo. Não precisa esperar isso chegar pra dar entrada no processo, pode acrescentar depois, ou mesmo esperar, se pedirem, você ja tem o doc e envia imediatamente. Sei que parece exagero (e até é), mas é péssimo quando você está pra receber seu pedido de passaporte e tudo pára pra esperar um nada consta que te disseram no consulado que não seria necessário.
  • Gente, esquece esse negócio que vivem colocando nos blogs, com milhares de coisas pras fotos. O que vale é o que está escrito, pelo Governo Canadense! 
  • Então tá, lá no Guia vá no Appendice B.
  • As fotos que eles pedem são diferentes das fotos de passaporte, cuidado com isso!
  • Nós tiramos nossas fotos em casa, arrumamos os tamanhos no photoshop e depois mandamos imprimir. Mas é totalmente viável ir na lojinha e fazer isso, desde que você leve as especificações.
  • São 6 fotos de 3,5cm x 4,5cm.
  • Seu rosto deve ocupar 2,5cm à 3cm da foto
  • O fundo deve ser branco. Já vi processo com problema porque o fundo não era suficientemente branco.;)
  • No mesmo Guia, tem uma parte que é pra você especificar seus bens.
  • A- Depôts bancaires - data de abertura de suas contas bancárias, saldo e número da conta.
  • Aqui colocamos a minha conta E a do Gato, já que é um formulário único e o dindim é dos dois.
  • B-Biens immeubles - se você tem algum imóvel, coloque aqui as informações dele, incluindo o quanto é seu valor estimado. Se tem dúvidas, chame um corretor pra fazer a avaliação.
  • C-Actions... - se tem investimentos, especifique-os.
  • D-Affaires - Se tem algum negócio, coloque aqui o nome, sua porcentagem nele, o valor atual e estimado.
  • Pensão, hipoteca e dívidas - coloque aqui as coisas que você paga mensalmente e que terá que continuar pagando quando for pro Canadá.
  • Depois pega tudo isso, entradas e saídas de dinheiro e faz a soma.
  • Por fim, você especifica o quanto levará na ida pra lá, o quanto vai transferir no futuro e o quanto você deixará aqui.
  • Não se esqueça que todos os valores devem ser colocados em CAN! No final, você deve dizer qual foi a taxa de câmbio que você usou.
9- Pagamento do processo
  • Esse item é fácil mas é chatinho. Você pode fazer uma transferência bancária em CAN diretamente para o Canadá. Ou, você pode fazer um depósito bancário na conta deles no HSBC de São Paulo.
  • Conta: Consulat général du Canada à São Paulo. Agência 1888. Conta 00116-05
  • Você deve depositar o valor EXATO daquele dia. Pra sabe o valor, ligue para 11-55094343. eles têm uma gravação só com essa informação.
  • Envie o comprovante original junto com o processo.
10 - Agora corre pros Correios! ;P


observações:
  • não esqueça de revisar tudo umas três vezes. Assinatura onde deve haver é fundamental!
  • Guarde uma cópia de tudo que você enviou. No futuro podem te pedir informações adicionais e você terá que lembrar de tudo de novo.
  • Não acredite em nada do que eu disse, leia tudo que é OFICIAL. Blog só serve pra confundir...hehehe

O tempo agora:
Montréal 18 ºC / Rio de Janeiro 20ºC

5 de maio de 2010

160km/h

Então, depois de ficar um bom tempo de recuperação da operação e chafurdada na síndrome do to partindo, resolvi sacudir a poeira e seguir os conselhos de cura!

Bom, na verdade, o Gato e eu sentamos e fizemos uma lista de tudo o que falta fazermos pra podermos ir pra chez nous com a vida encaminhada. Cara, é MUITA coisa!!!!

O que seria uma coisa bem simples, se transformou numa lista interminável, com os seguintes tópicos iniciais:

1- Finalizar processo (claro!);
2- Coisas da viagem (bagagem, chipar o nosso gato, alugar apartamento de temporada, arrumação de malas...);
3- Nosso apartamento (que precisamos reformar pra alugá-lo, só isso, básico!);
4- Garage sale,
5- Família (projeto de reforma da casa da minha mãe, da minha tia, coisas da saúde do meu pai, do pai do Gato....);
6- Vender o carro (só quando tudo estiver resolvido);
7- Évaluation comparatif des études (que podemos fazer lá, mas queremos adiantar bastante aqui pra começarmos a estudar imediatamente);
8- Fazer $$$ pra sobrevivermos lá nas condições mais adversas.

Bom, isso tudo tem que estar resolvido até o final de junho, que é quando pretendemos ir. Se o consulado der uma forcinha, claro! Pelo menos nosso endereço no e-cas!!! *rindo*

Ah, sobre as malas que levaremos, terminamos de comprá-las. Serão 3 malas convencionais grandes, 2 do mesmo tipo pequenas e 3 do tipo sacola enormes. Assim quando chegarmos não teremos tanto volume pra guardar. Uma das grandes já tá pedindo aposentadoria e as outras duas ficam, cada uma, com 1 pequena dentro e com as sacolas.

O tempo agora:
Montréal 19ºC / Rio de Janeiro 26ºC
lá fora tá 26 graus, tá queeenteeee. Mas aqui dentro tá 19, graças à nosso lindo ar-condicionado, meu melhor amigo em momentos de desespero...hahaha 

____________________
2011-08-01

Terminamos não chipando o nosso gato pois tivemos medo de ter sistemas diferentes num país e no outro. Terminou sendo uma ótima escolha porque aqui a veterinária faz um número pessoal do animal e te dá uma plaquinha com ele. Se o gato se perder, quem achar vê o número do telefone da vet, dá o numero do animal e pronto, tem acesso de como te devolver o bichinho.

Outra coisa que não fizemos foi a Évaluation comparatif des études. Na real, pra entrar na universidade não precisa disso, a universidade tem seu próprio sistema de avaliação. Estamos pensando agora em fazer isso, pra ter, mas custa uns 600 dólares, daí da "preguiça"! *rindo*

Imagina, eu tava morrendo de calor no rio, com 26 graus! Aqui tá 30 graus e to com ar-condicionado pra poder manter entre 26/27 graus... Cade o outono que não chegaaaa????? :p
 

4 de maio de 2010

Curriculum vitæ

Quando estivemos no Québec no ano passado, compramos alguns livros, entre eles um que se chama Guide de la communication écrite au cégep, à l'université et en entreprise que possui diversos modelos de documentos e comentários. Como o objetivo do post é CV (Curriculum vitæ), vamos a eles. 
 
Existem muitos modelos de CV, tanto no Brasil como no Québec. Mas levamos em consideração algumas coisas na hora de elaborar os nossos, inclusive com a ajuda de nossa professora particular. 
 
O objetivo de todo CV é mostrar a competência de um candidato e sua atitude e para isso deve-se levar em conta algumas características: clarté, lisibilité, concision, exactitude e correction de la langue.

Muita atenção a assuntos politicamente-corretos, os canadenses levam isso a sério, então não coloque sua idade, etnia, religião, peso, altura, sexo (nem o de nascença, nem o optado), foto ou qualquer outra característica não relevante, só interessam suas qualificações.

No nosso caso, preferimos utilizar o modelo clássico de CV, com a formation primeiro e as expériences professionnelles depois. De acordo com o livro, no modelo americano a formação vem em segundo lugar.


Então a ordem foi:

 1. Nome completo e endereço: 

GÉRALD TREMBLAY DA SILVA 
275, rue Notre-Dame Est, app. 01, Vieux-Montréal
Montréal (QC), H2Y 1C5, Canada
Résidence: +1 514 872-3101 / Cellulaire: +1 514 555-5555
Courriel: geraldtremblay@mail.qc.ca
2. Formation: em ordem cronológica inversa, com o mais novo primeiro.
 
1884 - 1888Baccalauréat en architecture et en urbanisme
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brésil
Sujet de travail de conclusion: moi et mon nombril dans le centre de l'univers.

3. Formation complémentaire: só os cursos relevantes com a sua profissão e cargo pretendido.


 4. Expérience professionnelles: Mesma estrutura de formation. Nessa lista mostre como você contribuiu para a empresa, mostre seu grau de autonomia, nível de responsabilidade e realizações concretas, não importa se é «Superviser 80 employés» ou «Compter les gens qui passaient sur le trottoir», o importante é não mentir, nem exagerar.
 
depuis 1888 Architecte et urbaniste assistente
Chez moi et mon nombril, Brésil
  • Coordoner une équipe de 80 employés
  • Dans l'après-midi, compter les gens qui passaient sur le trottoir
5. Cours de langue: lembre-se, você está fazendo um processo de imigração para morar numa província francófona onde as pessoas foram proibidas, durante muito tempo, de falar francês nas ruas. O francês não é só uma língua, é uma das ferramentas de manter a cultura viva. Se seu objetivo é fazer o processo do Québec por que o do Canada é mais difícil e depois quer ir morar em Toronto, porque você tem um monte de diploma de inglês, pelo menos não diga isso no seu CV. Ou seja, primeiro seu conhecimento real do francês e depois do inglês. 
 
6. Implication sociale: aqui você coloca as coisas boas que você já fez para a sociedade, por exemplo, trabalhos voluntários. Se você não fez nada disso, pode começar hoje mesmo, que tal? 
 
7. Intérêts: aqui você coloca as coisas que você gosta de fazer, se tem algum passatempo. Não vale mentir e dizer J'aime la litterature quebecoise. Se você já foi ao Québec, escreva aqui.

1 de maio de 2010

A entrevista


Nossa entrevista aconteceu no dia 11/11 às 11 horas, uma quarta-feira. Pra ficarmos (eu, porque o Gato tava zen) tranqüilos, tomamos algumas providências:

  • Vestimos roupas adequadas. Resolvemos ser bem formais, para deixar claro que somos um casal sério, comprometido e que compreende a seriedade daquela entrevista; 
  • Chegamos em Sampa no dia 10, pela manhã. Daria tempo de irmos pra lá no mesmo dia, mas resolvemos ir no dia anterior pra não ter correria (o que se provou uma ótima decisão pois, naquela noite houve um mega apagão e tudo ficou pirado no dia seguinte).
Chegamos com 30 minutos de antecedência e ficamos esperando, assistindo ao Festival de Jazz e ouvindo a entrevista que tava rolando beeemmmm ao fundo. 
O entrevistado saiu não sei que horas e não muito feliz. Era um rapaz de uns 20 e poucos, de mochila nas costas, bem informal. Então o M. Leblanc nos cumprimentou. Eu gelei e devo ter feito cara de pânico, mas não é à toa, pois eu sou a requerente principal. Então ele riu e nos tranqüilizou.
A primeira coisa que comentou é que estava feliz em receber um casal como nós, que às vezes aparecem uns “jovens aventureiros” e que ele não bota muita fé que permanecerão no Québec por muito tempo. Achamos que ele se referia ao rapaz, mas não faço idéia. Mas o que ficou pra mim é que a produção no visual mais sério funcionou muito bem.
Depois ele já foi avisando que por causa do apagão da noite anterior, a impressora não estava funcionando. Daí já pensei: ei, será que ele já nos aprovou?! Sinceramente acho que sim, mas...
Aí ele pediu pra ver nossos documentos. Ele não havia entendido qual era o meu MBA, tentou traduzir e não conseguiu. Prontamente eu traduzi e ele começou a rir, pois era completamente diferente nas duas línguas. Em português é Gestão de Negócios Sustentáveis, já em francês é Gestion des Affaires Durables.
Ele perguntou como estava o meu inglês e eu respondi (em francês) que estava enferrujado, que há muito não o utilizava. Ele fez um sinal de ok e continuou a entrevista.
Continuou na papelada e parou no nosso passaporte, buscando uma confirmação de que já havíamos ido ao Québec. Lá não tinha nada, pois recebemos o carimbo de entrada em Toronto e depois seguimos pra Montréal. Ele ficou meio confuso com isso, meio desconfiado. O medo deles (não sem razão) é que a pessoa pegue o visto e vá morar em outra província.
Foi então que pegamos nosso lindo e maravilhoso álbum de fotos da viagem! Havíamos selecionado as fotos por temas e montamos um livro. (Fizemos o nosso na All Photos, mas existem várias empresas que fazem isso. Em minha opinião vale muito à pena pra entrevista e pra guardar depois.)
Quando ele viu as fotos, o rosto se abriu! Ele ficou impressionado com o mapa na primeira página que mostrava os lugares por onde havíamos ido, desde cidades grandes à minúsculas e charmosas. Aí ele disse: ah, isso encerra várias perguntas, pois agora eu sei que vocês entendem o Québec, sabem nossa maneira de viver e nossas prioridades. Bom, à partir daí ele ficou comentando sobre as fotos e lugares, sobre monumentos arquitetônicos, etc.
Depois de um bom tempo de papo furado, ele retomou a formalidade da entrevista, perguntando como era nossa rotina de trabalho atual e se entendíamos os problemas de ter uma profissão com ordem profissional. Explicamos nossa rotina e daí iniciamos a falar da nossa profissão.
Saquei os budgets e novamente o rosto dele se iluminou! Isso porque viu a possibilidade de trabalharmos como técnicos de arquitetura enquanto estivermos com o processo de equivalência na ordem de arquitetos. Além disso, ele adorou a quantidade de informações que estava lá.
O plano de trabalhar como técnico era nosso plano B. Aí ele disse: esse é o plano A, vocês devem apostar nesse plano que serão muito bem sucedidos no Québec! 
Então começou a falar que aqui estamos no topo da pirâmide e que lá teremos que descer na pirâmide pra depois subirmos novamente. Explicamos que estamos prontos pra isso, pois realmente buscamos uma melhoria de qualidade de vida e morar no Québec traria essa melhoria pra nós.
Então ele entrou no por que queríamos imigrar. Falamos nossas razões e ele anotou. Aliás, tudo ele anotava no computador.
Depois parou de falar, ficou escrevendo no comp e por fim disse: parabéns, vocês foram aceitos com muitos pontos de folga. Infelizmente não poderei entregar agora seu CSQ, mas logo ele chegará pelo correio. 
Aí foi só alegria, explicou que deveríamos correr com a equivalência de nossos estudos desde o Brasil, que deveríamos nos inscrever na Francisation En Ligne, entregou uma publicação do Apprendre Le Québec e só!

Dicas para a entrevista: 

  • Vá bem vestido. Não tenha medo de estar mais formal que o entrevistador, ele vai encarar isso como sinal de respeito ao processo de imigração e seriedade do candidato. Mas cuidado com extravagâncias afinal, menos é sempre mais! 
  • Pegue o que você tem de maior potencial e "pinte de vermelho". Se já foi ao Québec, leve um álbum bem produzido, mostrando coisas do cotidiano deles, como alimentação, casas, cidadãos... Se fala inglês maravilhosamente, quando ele perguntar seu nível, responda em inglês e comente alguma coisa que você acha interessante...
  • Faça um budget realmente realista e minucioso. Isso te ajudará depois e certamente mostrará que você está com os pés no chão.
  • Se é arquiteto, investigue sobre a profissão de técnico. Tem técnico de arquitetura, de urbanismo, de desenho de interiores, e por aí vai. Isso vai mostrar que você está disposto a "cair um degrau na pirâmide pra depois subir", como disse o M. Leblanc.
  • Não se preocupe, ele fala francês o tempo todo, mas bem calmo, pra garantir que você entenda.

O tempo agora:
Montréal 20ºC / Rio de Janeiro 26º