27 de janeiro de 2011

Francisação - Afinal o que é isso?

Me pediram pra escrever minha impressão sobre a francisação. Então resolvi fazer uma introdução sobre esse assunto, falar sobre algumas coisas que estão no site da imigração Québec no assunto língua francesa e completar com minha opinião, claro.

Fazendo uma rápida revisão sobre a história do Québec e o papel da lingua francesa, temos:

- De 1608 até 1763 ( = 155 anos) o Québec falou francês.
- Em 1763, no acordo entre a França e a Inglaterra, a igreja católica não queria perder seu poder no Québec, então o acordo previa que os francófonos continuariam estudando em escolas francófonas e frequentando igrejas católicas, enquanto os anglófonos estudariam em escola anglófonas e frequentariam igrejas anglicanas.

- De 1763 até 1974 ( = 211 anos) o Québec foi ocupado pelos inglêses e depois diversos outros anglófonos vieram para o Canada, começando pelos americanos leais a Inglaterra (anos 1780-90), depois os irlandeses e os escoceses. Para aumentar o número de anglófonos e diminuir o poder dos francófonos, outros povos vieram para o Canada e aqui podiam inscrever seus filhos em escolas anglófonas, como os italianos, os portugueses, os indianos, os chineses... sem deixar de frequentar a igreja católica, se quisessem.
Mesmo com o número de anglófonos aumentando no Canada, os francófonos do Québec conseguiram manter sua lingua e suas tradições, apesar de serem recriminados.

Em 1793 os textos oficiais passaram a ser escritos nas duas línguas. Em 1837 aconteceu a rebelião dos patriotas, uma espécie de conjuração mineira com a diferença que muitas batalhas aconteceram e muita gente morreu. Em 1889 Henri Bourrasa falava francês na Chambre des communes e alguns deputados anglófonos gritaram: "Speak white" ("parlez blanc" ou "fale branco"). Esse insulto foi usado contra os escravos para que eles não falassem sua lingua original e a partir desse momento foi usado contra os francófonos. Até a revolução tranquila era muito comum ouvir isso em lugares públicos e mesmo depois dela, eventos desse tipo ainda aconteceram, por exemplo em 1999 quando alguém pôs uma bandeira na fronteira entre Québec e Ontário com os dizeres: "From this point speak white!" ("À partir d'ici, parlez blanc" ou "À partir daqui, fale branco").

- Em 1974 o Québec conquistou uma lei que diz que a lingua francesa é a lingua oficial da província, isso é, mais de 200 anos sem poder fala francês em público, mesmo com mais da maioria da população falando francês.

Então quando ouço um brasileiro falando que: "Vou morar em Montréal por que não sei falar francês"  penso na história do Québec e penso que é mais um que não fala francês pra contribuir com o projeto de colonização do Canada adotado pelos ingleses.

Voltando ao projeto de imigração, dessa vez do Québec...

Com a revolução tranquila, os estabelecimentos de ensino sairam das mãos da Igreja e passaram a ser administrados pelo Estado. Falar a língua francesa não é só falar uma língua, estimular o aprendizado do francês no Québec é uma política de Estado, não uma ação assistencialista (sei que algumas pessoas que lêem esse blog não conseguem entender a diferença, mas não custa nada tentar).

Existem algumas políticas de estímulo ao aprendizado do francês para não-francófonos. Começando pelo estímulo ao aprendizado da língua no seu pais de origem, curso de francês em linha e o aprendizado do francês no Québec.


"Le gouvernement du Québec accorde une grande importance à l’apprentissage du français."
Existem diversas modalidades de cursos gratuitos de francês para não-francófonos no Québec e em todos ele a intenção náo é apenas ensinar a lingua, mas também a cultura do Québec, facilitando a integração.

Cursos de francês em empresas - Curso de 4 horas por semana, em meio período, oferecido em empresas que contratas imigrantes e em contrapartida recebem dedução no imposto. O Estado paga para a empresa, é do interesse dele.


Cursos especializados - Cursos variados em tempo parcial como, por exemplo: francês escrito, comunicação oral, para os profissionais da saúde, no domínio da engenharia e das ciências aplicadas.

Por fim, os cursos regulares em tempo parcial ou em tempo completo.

Os cursos regulares em tempo parcial são oferecidos em 4, 6, 9 ou 12 horas por semana em horários variados e duração variados, pois é destinado à pessoas que trabalham, por exemplo. A pessoa inscrita nesse curso pode pedir uma ajuda de custo para creche se ela possue pelo menos um filho com menos de 12 anos ou uma pessoa com deficiência sob sua responsabilidade. Os exilados e os residentes temporários não podem receber esse auxílio. Ela pode receber até 7$ por criança, por dia de formação, que pagaRIA uma creche subsidiada pelo Estado.

Os cursos regulares em tempo completo são de dois tipos: francês para imigrantes adultos (FIA) e francês para imigrantes pouco alfabetizados (FIPA).
O FIA é dividido em 3 blocos (iniciante, intermediário e intermediário (mais avançado)). Cada bloco tem 30 horas/semana e dura 11 semanas, sendo 220 horas de aula e 110 de monitoria (atividades extras, acompanhamento de exercício...).
O FIPA é dividido em 4 blocos de 25 horas/semana de 11 semanas, sendo 220 horas de aula e 55 de monitoria.

Para o FIA, existem três possibilidades de ajuda de custo (aide financière):
- Ajuda de custo de participação - para todos os estudantes, menos para quem recebe seguro desemprego ou outro tipo de subsídio social [não sei bem]. O valor pode variar entre 30$ e 115$ por semana, dependendo da categoria de imigração.
- Ajuda de custo para creche - os requisitos se parecem com os do tempo parcial, mas o valor é no máximo 25$ por dia por criança.
- Ajuda de custo para transporte - destinado aos alunos que moram à mais de 24 km do lugar do curso. O governo paga aproximadamente (???) 0,1050$ por kilômetro que excede os 48km diários.

Como vocês podem ver, algumas pessoas sonham em vir pra cá e viver da "bolsa de francisação". Acho um engano, pois esse dinheiro paga as despesas para que o aluno possa estudar, mas não passa disso.

9 de janeiro de 2011

Nova fase - universidade

Essa semana comecei minhas aulas, finalmenteeee!!!!! Já tava angustiada esperando por isso, louca pra conhecer pessoas novas, louca pra aprender conteúdos novos, louca pra andar com a vida.

Recebi também a confirmação do meu aceite no prêt et bourse, mas ainda não tenho como dar detalhes. Quando receber o dinheiro e souber mais informaçõpes eu digo aqui.

O que rola é que existem duas categorias de estudante. Os de tempo pleno e os de tempo parcial. Tempo parcial é todo aluno que estuda até 3 disciplinas. Tempo pleno é o que estuda a partir de quatro disciplinas. Pra ser elegível ao prêt et bourse você deve ser estudante de tempo pleno. Isso to falando pra quem está, como eu, cursando alguma coisa do primeiro ciclo, dos ciclos superiores eu ainda não posso dar detales.

Bom, como o mínimo são quatro disciplinas, fui lá pegar cinco. A moça da secretaria quase teve um treco, porque seria muito. "Como eu terei tempo pro lazer?". Eu quase chorei! ehehehehe

Depois disso TODAS as pessoas me falam a mesma coisa, então resolvi começar pegando leve e retirar uma das disciplinas. O problema é que um certificat tem 10 disciplinas, se eu fizesse cinco agora, no verão eu terminaria, certo? Errado!

Acontece que, segundo me informaram e eu ainda não confirmei, o verão é um trimestre condensado, então fica bemmm complicado pegar mais que duas disciplinas. E isso tira o meu pequeno sonho de terminar tudo em 6 meses e me leva pro trimestre de outono. Pas mal, ça va!

Então resolvi cortar mesmo a tal quinta disciplina, mas vivo no dilema de qual será. Até agora nem tive uma aula de cada uma, aí fica mais difícil de escolher. Veremos na semana que vem.

Sobre a reclamação de todos sobre o tempo necessário pra estudar, o que vi até agora é que são de fato muitos textos pra ler por aula, além dos muito trabalhos. Por exemplo, eu to fazendo uma disciplina aos sábados e domingos. E ontem, depois de 9 horas seguidas de aula, o tarado do professor nos mandou ler 5 textos pra hoje de manhã. E todos nós lemos e os discutimos em aula. Ou seja, não é a boquinha brasileira que aluno reclama quando professor dá muito texto ou muito trabalho... ehehehehe

Sobre a universidade, só tenho elogios, tudo tem sido ótimo. Inclusive o que eu mais temia, que eram as aulas em francês. To conseguindo entender tudo. Além disso, as pessoas são SEMPRE muito gentis comigo, e quando descobrem que sou brasileira recém chegada, são mais gentis ainda. Nessa disciplina do final de semana tem gente que já foi no Brasil estudar projetos de meio ambiente, gente que estuda português, gente perguntando sobre o que achei da Dilma ser eleita... Enfim, pessoas informadas, interessadas, gentis e, sobretudo, interessantes.

O perfil dos alunos do meu curso é de pessoas com uma média de idade de 35 anos,  60% de mulheres, uma maioria de quebecas, uma boa parte de pessoas vindas de vários países da África e uma pequena parte de espanofônicos latino-americanos... e eu, a única brasileira. Todo mundo é mais velho porque é o princípio desse certificat, ele é oferecido pela faculdade de estudos permanentes, que é voltado somente para adultos. Eles buscam pessoas com experiência profissional e de vida.

Claro que estou falando de um curso de pessoas que trabalham ou querem trabalhar com relações de cooperação internacional, logo são pessoas super abertas a tudo que é internacional, às línguas, à política... Bom, não foi à toa que escolhi esse caminho. ;)


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2011-04-26

Terminei o primeiro trimestre e vi porque as pessoas ficam tensas com 5 disciplinas. Ainda acho que dá, mas é realmente pesado.

Sobre o trimestre de verão, de fato não teria como fazer 5 disciplinas pelo simples fato deles não oferecerem! Eu consegui me inscrever em 3 disciplinas do meu curso e em uma de francês escrito.

Se eu tivesse começado no outono (que é de fato o início do ano letivo daqui), daria pra forçar a barra e fazer 5 disciplinas por vez. Daria, mas não recomendo se você pretende ter algum tipo de vida pessoal/cultural.

Se você pretende usar o curso pra iniciar seus contatos profissionais, terá que ir às palestras, aos eventos,  sair com seus colegas... Logo, tem que ter algum tempo livre pra isso.

27 de dezembro de 2010

MICC: arquiteto, urbanista ou técnico?

Fomos mais uma vez no MICC. Dessa vez encontraríamos uma pessoa que nos falaria especificamente da nossa profissão. Cada um de nós foi atendido por uma agente, que nos deu respostas e informações diferentes e complementares. A que atendeu o Gato nem foi tão interessante, mas a que me atendeu foi ótima, adorei!

Ponto pro MICC! :)

Explicamos que nossa intenção no momento é estudar. Que o Gato fará doutorado, que eu farei especialização seguida de mestrado. Explicamos que estudaremos em tempo pleno, logo, não procuraremos emprego na área agora. Dissemos que, como esse processo de estudo vai demorar ainda, pensamos em encaminhar nossa entrada nas ordens de arquiteto e urbanista depois. Explicamos que possivelmente eu não trabalharia mais com arquitetura, mas sim com urbanismo-sustentabilidade; e que o Gato quer mesmo é ser professor universitário.

Ok, tudo entendido. Então elas nos passaram informações que mudaram/ampliaram um pouco nossa maneira de ver as coisas.

1 - No caso da ordem de arquitetos, mais uma vez ouvimos críticas por parte dos agentes do MICC, dizendo que eles são muito fechados e burocráticos, que o processo é muito demorado e caro (para iniciar o processo paga-se 1365$ + 667$ pros exames + 91,43$ de sei lá o que...) e que a anuidade é muito cara também (837,50$). Então, como não pretendemos trabalhar na área por agora, elas concordaram que, de fato, é melhor nos capitalizarmos antes de fazer isso. Importante: arquitetura é profissão d'exercice exclusif, o que significa que só pode exercer essa profissão quem tem o título da ordem de arquitetos.

2- No caso da ordem de urbanismo tem que ter mais cuidado. É que o processo de entrada na ordem é diferente pra quem está formado a mais ou menos de 5 anos. Ou seja, quem tem menos de 5 anos de formado é tratado como recém-formado e todo o processo é mais simples, com menos exigências. O valor do processo é bem mais baixo, mas também não é barato (141$ pra dar entrada +170$ pra estágio obrigatório + 284,88$ exame profissional + 85,47 de permis...) assim como a anuidade (438,17$ + 17,10). Além disso também tem 1500$ por ano de assurance professionnel. (essa eu não sei na arquitetura, mas certamente tem também). Importante: urbanismo é uma profissão de titre reservé, o que significa que você pode praticar a profissão de urbanista, mas pra ser chamado de urbanista você precisa ter a ordem. Isso, obviamente, também pode restringir um pouco suas opções de emprego.

3- Finalmente entendemos a diferença de technicien pra technologue. O primeiro não tem título da ordem dos técnicos e o segundo tem. Na prática os dois trabalham com a mesma coisa e ganham o mesmo mas, muitos empregos são especificamente pra quem tem a ordem. Ou seja, assim como o urbanista, o technologue também é uma profissão de titre reservé.

3.1- Aqui tem technologues de arquitetura, de urbanismo, de paisagismo, de desenho, de arquitetura de interiores... Ou seja, de arcordo com seu interesse e experiência profissional, pode trabalhar em uma área específica.

3.2- O técnico em arquitetura aqui faz projetos e obras. Eis a cópia de uma parte do documento que elas nos passaram dando algumas restrições de seu alcance:

"La Loi sur les architectes vous [le technologue professionnel] autorise à préparer des plans et devis de travaux d'architecture pour la construction, l'agrandissement, la reconstruction, la rénovation ou la modification:
1) d'une habitation unifamiliale isolée;
2) lorsqu'il s'agit d'une habitation unifamiliale jumelée ou en rangée, d'une habitation multifamiliale d'au plus quatre unités, d'un établissement commercial, d'un établissement d'affaires, d'un établissement industriel ou une combinaison de ces habitations ou établissements lorsque, après réalisation des travaux, l'édifice n'excède pas deux étages et 300m2 de superficie brute totale des planchers et ne compte qu'un seul niveau de sous-sol."

3.3- Tirar o título da ordem de técnicos é bem mais simples e mais barato (85$). A anuidade é 379,58$ pra quem tem emprego e 230,05$ pra quem não tem. A assurance professionnel custa 1500$. Esse seguro é pra garantir que, caso algo dê errado e você seja processado, a ordem irá te defender judicialmente.

3.4- Diferente da ordem de arquitetos e urbanistas, pra ter a ordem de técnico, tem que fazer a Évaluation comparative des études pelo MICC. Essa equivalência tem demorado cerca de 7 meses pra ficar pronta, mas quem tem urgência comprovada consegue adiantar o processo pra uns 3 meses. Ou seja, quem quiser ir pra esse caminho tem que correr com isso, de preferência desde o Brasil.

3.5- A oferta de empregos para technologues em arquitetura é 4 vezes maior que pra arquitetos. Esse é um dos motivos que fazem com que os agentes do MICC sempre empurrem os imigrantes pra esse caminho. ;)

4- Pra ser professor no Canadá os caminhos são mais simples que no Brasil. O conselho da agente do MICC foi de ver exatamente aonde se deseja trabalhar e perguntar à instituição quais as perspectivas, quais os requisitos. Uma possibilidade também é de ser professor do curso técnico do Cegep. Olhamos de leve quais as exigências e com mestrado já dá pra se candidatar à uma vaga de professor de arquitetura na UdeM.

Bom, tudo isso são observações superficiais, mas que modificaram nossos focos. Por exemplo, se resolvermos trabalhar com o que fazíamos no Brasil, podemos só ter nosso título de tecnólogos em arquitetura. Pra ser professor de arquitetura não é necessário ter a ordem. Ou seja, nosso interesse em tirar a ordem de arquitetos ficou no final da lista.

Sobre as ofertas de emprego em cada área, continuamos com a mesma informação que já tínhamos, que em todas essas opções tem muita demanda, exceto pra professor, que nem a gente, nem as agentes de imigração, temos informação por enquanto.

Sobre salário, bom, aí varia muito. De acordo com os dados do Québec, um técnico ganha em média 40 000 $ por ano, um arquiteto ou um urbanista 60 000 $, um professor universitário ganha em média 80 000 $. Segundo a associação de professores do Cegep, um professor ganha em média 35 000 $. Mas isso tudo são médias, certamente depende horrores de quem trabalha aonde e com quê. Vale ressaltar: olhando o valor bruto parece que a diferença é enorme, mas se você retirar o imposto (que aumenta conforme o salário cresce) verá que a diferença entre eles termina sendo bem menor. ;)

24 de dezembro de 2010

Admission na UdeM

Dia 05 começam minhas aulas. Como não vejo muita gente falando desse processo de admissão, achei que valia a pena postar algo sobre o meu processo aqui.

Pra ter certeza de que curso faria (se seria um certificat seguido de um mestrado ou se eu faria logo o mestrado) fui na universidade pedir informações. Lá me deram o telefone do coordenador do curso. Liguei e marquei um rendez-vous pra saber mais informacões. Na semana seguinte nos encontramos, ele falou sobre as possibilidades de crescimento na área, me perguntou meu projeto profissional, deu dicas das coisas que eu deveria fazer pra conquistá-lo... Enfim, foi ótimo! Fiquei com o plano do certificat seguido do mestrado.

No mesmo dia entrei no site da UdeM e fiz meu pedido de admissão on-line (se for fazer isso na secretaria é mais caro). No dia seguinte fui até a secretaria com meus documentos originais e xerox comuns. A secretária deu o "conforme o original" e ficou com as cópias. Tudo certo, basta esperar um ciclo de três semanas. Ok.

Sobre os documentos é importante saber que eu já havia feito a tradução com um tradutor juramentado do Québec. Mandamos do Brasil os documentos, ele traduziu e nos devolveu pelos correios. Outra coisa importante é que achávamos que teríamos que fazer a equivalência dos diplomas pelo MICC, mas na UdeM eles têm um sistema próprio de equivalência e não foi necessário. Isso é importante porque a equivalência pelo MICC tem demorado uns 7 meses, então é bom verificar isso antes de tudo.

Bom, como sempre, o ciclo de três semanas foi mais curto e em uma semana eu recebi uma carta dizendo que fui admitida. Agora era pra eu fazer a inscrição on-line nas disciplinas e esperar que receberia uma outra carta me convocando pra uma prova de francês. Na mesma carta dizia que, por falta de algum documento, eles haviam me colocado como aluna estrangeira e que era pra resolver isso na secretaria.

Como me inscrevi antes de ter recebido minha Carte de Résident Permanent, parti do princípio que era esse o problema. Por sorte ela chegou no mesmo dia que a carta da universidade. Peguei a Carte e fui correndo pra UdeM.

Chegando lá descobri que sim, eles queriam uma cópia da CRP, mas na real, o que eles tinham dado falta era da cópia do meu CSQ. Como assim, eu havia entregado isso. Bom, paciência, entreguei o original e eles tiraram uma nova cópia e adicionaram na minha ficha. Certo, tudo resolvido e a secretária me pegou pelo braço e foi fazer a inscrição comigo. Achei fofo, parecia que eu tinha uns 5 anos! *rindo*

Feita a inscrição eu já podia começar o processo pra pedir a prêt et bourse (sistema do governo de ajuda aos estudantes, parte fica pro aluno como bolsa, parte tem que ser devolvido quando terminar os estudos). Fui no setor da UdeM de aide financière pra dar entrada na papelada. Lá eles me disseram que primeiro eu tinha que ter um número de estudante no Québec. Ok, requeri o tal número e me disseram que em um ciclo me telefonariam informando. Meio ciclo depois me ligaram e passaram o tão esperado número. 

No dia seguinte era minha prova de francês, então decidi esperar um pouquinho pra dar entrada no pedido de bolsa (vai que eu ia muito mal na prova??).

Essa prova é o TFI (teste de francês internacional). Ela pode ser feita até no Brasil. A diferença é que fazendo aqui o resultado sai mais rápido e você ainda faz uma redação que vai te dar sua classificação no curso de francês oferecido pela universidade.

Bom, fiz a prova e continuei sem saber se passei ou não. O resultado chegaria pelo correio em um ciclo, evidente! O detalhe é que em um ciclo minhas aulas começariam!
Bom, fui fazer minha inscrição no prêt et bourse na universidade. Tem dois funcionários que ficam lá pra ajudar os novos alunos nisso. Pedido enviado on-line, documentos requeridos entregues na secretaria... Agora tenho que esperar mais um ciclo pra saber se tudo está bem!

Meio ciclo depois da prova chegou a cartinha dizendo minha nota, fui aprovada! Junto eles enviaram o certificado do TFI e outra carta dizendo que eu posso fazer uma disciplina por trimestre no departamento de letras. Então vou me inscrever depois das festas. Farei a sequencia de disciplinas de francês escrito, assim vou fechando os buraquinhos que ainda existem. :)

Ah, esqueci de contar que nesse meio tempo tivemos um encontro da turma com o coordenador do curso. Nesse encontro ele apresenta o curso, fala do perfil dos alunos. Nós todos fizemos uma mini apresentação (formação, experiência...). Foi ótimo. Descobri que apesar de ser um certificat, que é do primeiro ciclo, todo mundo que estava ali era mais velho (uma média de 35 anos), tinha experiência prévia profissional, vários já tinham mestrado e outros só curso técnico... Enfim, uma turma bem variada, muito interessante.